Friday, May 16, 2008

Ruídos

Quero escapar do ruído
Das pessoas
E mergulhar no som
Das ondas do mar
Quero fugir da repetição
Do disco de vinil riscado
E abraçar a melodia da chuva a cair
Quero ignorar o burburinho
Das vozes humanas
E dar atenção aos gritos das gaivotas
Quero não perceber a maledicência
E escutar o som fresco da cachoeira
Quero refugiar-me do diz-que-disse
E encontrar-me na música das cigarras
Numa noite escaldante de verão
Quero um momento de silêncio eterno
E esquecer-me dos ruídos que me ferem os ouvidos
E secam por dentro
Quero regar-me de luz
Num frágil momento sem dissonância.

Lisboa, 16 de Maio de 2008

Carla Mondim

Friday, May 9, 2008

Em casa

Olho-te nos olhos
E apetece-me um mergulho.
Atiro-me!
Meu corpo, suspenso,
Boia ao sabor da vontade
Sem pressa.
Já não sou só eu.
É como acordar num quarto de hotel
Pensando que estou em casa.

Thursday, March 13, 2008

Errando ao teu encontro

Sou onda,
Rasgando a dor
Sou espuma,
Amorosa.
Sou fogo,
Vivo,
Dentro de um coração
Que bate num ritmo certo.
Sou tempestade,
Louca,
Que percorre sem tréguas o deserto
Misturando-se com a areia aquecida pelo sol.
Sou paz,
dissonante,
entre notas agudas e graves.
Sou cavalo,
Com asas,
Que viaja sem destino certo
À procura da aventura.
Sou auto-estrada,
Em linha recta,
Ao encontro do teu abraço.

Lisboa, 13 de Março

Carla Mondim

Tuesday, January 8, 2008

Impactos

Chocam violentas as ondas
Contra a costa silente
Investem furiosas
Contra a areia dormente
Sem tréguas
Não se cansam do abalo
Da profunda impressão
Do movimento
Em que passam os dias
Cai a noite sobre as ondas
E velam as estrela o mar
O vento sopra baixinho
E as ondas sempre a dançar.

Lisboa, 08 de Janeiro de 2007

Carla Mondim

Monday, December 3, 2007

Cinco Minutos

Vive-se a eternidade
Em cinco minutos
Vive-se o instante
Sem passado ou futuro
Vive-se e sente-se
Sem mais.
Vive-se a alegoria
De estar no paraíso
De nadar nu
Numa noite estrelada.
Avista-se o céu
Inspirando fundo
Comungando do
Milagre da vida
Vive-se absorvendo
A eternidade
Em cinco minutos.


Lisboa, 3 de Dezembro de 2007


Carla Mondim

Friday, November 23, 2007

Espírito de Natal

O país vai mal
Entretanto chega o Natal
Falta o dinheiro para as 300 prendas
Está tudo pela hora da morte
É preciso assaltar uma caixa-forte
A cidade está enfeitada
Orgulhosa e engalanada
Fazem-se mil compras a crédito e por empreitada

Tanto papel, tanto laço
Tantas caixas cheias de tudo
Tantas mãos cheias de nada
Tantas almas feridas por uma espada
Tanta luz, tanto glamour
Tantos olhos exprimindo tristeza
Tanto frio e céu cinzento
Além, um coração morno e uma estrela no firmamento...


Lisboa, 23 de Novembro de 2007-11-23

Carla Mondim

Saturday, November 17, 2007

I was born under a wondering star

Looking at the sky
For some answer in the stars
Looking to the smooth shine
For some peace in the heart
Looking always up
For some sense in life
Looking in the dark
For a lost dream
Looking in the sky
For you.

Lisboa, 16 de Novembro de 2007

Carla Mondim